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Santeria,
o Caminho dos Santos No cristianismo, o culto aos santos é denominado de
«Dúlia», sendo que a Dulia é uma prática religiosa também denominada de
«piedade popular», ou seja: a piedade popular
ou a Dulia, são expressões de espiritualidade e de fé que consistem no culto
privado e pessoal de uma comunidade,
ou de um grupo de pessoas, ou de um individuo, relativamente a um santo ou
aos santos. A pratica da piedade popular ou da Dulia nem sempre foi
bem recebida pelo Vaticano, sendo que em 1376, na obra Directorium inquisitorum , ( o
Manuel do Inquisidor), de Nicholas Aymerich, a Dulia era considerada uma
forma de feitiçaria secular herética. Esta perseguição medieval contra a «Dulia» ou a «piedade popular», ocorreu
principalmente porque a dulia consistia ao mesmo tempo na dedicada devoção
aos santos, sendo porem que possuía em sí uma forte componente mística, onde
é comum encontrar elementos de apelo a formulas esotéricas mais ou menos obscuras,
convivendo lado e lado com as mais iluminadas orações aos santos. Estas praticas espirituais misturavam-se ocorriam em
simultâneo na dulia, fazendo todas elas parte do mesmo corpo de crenças
religiosas, o que despertou a reprovação da inquisição medieval. Na verdade, se tal sucedia não era porque a «dulia» ou
a «piedade popular» fossem formas de veneração ás trevas, ( não o são, nem
nunca o foram), mas sim porque na sua mais profunda essência, a dulia ou a
piedade popular ou a Santeria professam que tudo aquilo que existe está sob
poder de Deus, e que por isso através dos santos tanto é possível apelar ás
bênçãos de Deus, como é possível obrigar as forças de trevas a cumprir com
ordenamentos e instruções para certos fins, pois que se defende que o poder
de Deus se estende sobre todas as coisas, sejam elas de luz ou trevas. Ao contrario das visões maniqueístas e dualistas que
vêem o mundo de forma simplista, ou seja, como um campo a «preto e branco» onde
existe o «bem» de um lado e o «mal» do outro, já as praticas da Santeria
tendem a ver o mundo não na visão redutora da dualidade «branco e negro», mas
sim a ter o mundo como uma imensa palete de inúmeras cores, onde Deus tem
poder sobre todas elas, e por isso tanto luz como trevas em todos os seus
espectros, gradações e dimensões podem ser usadas por Deus, sob a autoridade
de Deus, e através dos santos. É nesta «Dulia» e nesta manifestação de «Piedade
Popular», que a Santeria europeia possui algumas das suas mais ancestrais
raízes teológicas e teosóficas. A santeria, constitui o chamado «caminho
dos santos», ou seja, a dedicadíssima e especial adoração dos santos. As
doutrinas espirituais da santeria desenvolveram-se a partir da
simbiose entre o cristianismo e as crenças religiosas de origem africana,
havendo-se esta doutrina religiosa fundado em países como Brasil, Cuba,
Panamá, Porto Rico, Republica Dominicana, Venezuela, Argentina, México e
tendo-se propagado ate mesmo nos Estados Unidos da América, Espanha e França.
As
origens da santeria residem num processo de sincretismo entre as religiões de
origem africana, ( religiões onde a crença em espíritos ancestrais se
encontra profundamente presente), e o cristianismo que foi levado aos povos
africanos através dos movimentos de colonização das potencias europeias entre
os sec. XV e XVII, nomeadamente os reinos inglês, francês, português e
espanhol, que maioritariamente dominavam o espectro do cenário colonial a
nível mundial. Assim,
confrontados com as evangelizações obrigatórias que os padres missionários
impunham aos escravos, os povos colonizados passaram a adorar certos santos
cujas características mais se assemelhavam com os seus espíritos ascestrais,
e assim nasceu todo o processo de sincretismo religioso através do qual os
missionários julgavam observar com sucesso a implantação da fé cristã nos
povos recentemente evangelizamos, ao mesmo tempo que os escravizados
descobriam uma forma de conseguir , em segredo, manter e praticar as suas
próprias crenças religiosas. Com o passar do tempo, os povos
colonizados começaram efectivamente a assimilar com grande profundidade as
crenças cristas, ao passo que perpetuando as suas praticas espirituais
ancestrais, o que conduziu ao nascimento de uma nova corrente religiosa de
natureza efectivamente cristã, a que se denominou «o caminho dos santos». Assim
e como a história é um processo constantemente evolutivo que se desdobra em
espirais, se da Europa partiu o cristianismo para todo o mundo, séculos mais
tarde o cristianismo imbuído dos princípios espirituais dos povos que tocou,
acabou retornando á Europa. Actualmente, no ocidente
europeu, ( Espanha, Portugal, França, Italia, etc), as crenças religiosas da santeria
já se implantaram e são praticadas com grande veneração, se bem
que de formas mais afastadas das suas doutrinas originais de África e do
continente Americano, ou seja, não tão enraizadas nos princípios das
religiões africanas, mas mais associadas e centradas nas crenças doutrinarias
do cristianismo, naquilo a que se chama de «Dulia» ou «piedade popular», e
que são manifestações teológicas que provem desde a idade media. As ramificações actuais da
santeria praticada na Europa, ( o chamado «caminho dos santos»),
assenta mais na predominância de devoção a Jesus Cristo, ( aquele a quem se
chama o SANTO DOS SANTOS), assim como na fidelíssima devoção de santos
cristãos. Na doutrina europeia -
cristã do «caminho dos santos», Jesus é tido não apenas como um ser
puramente divino, mas antes como um homem de «carne e osso» no qual habitou
um espírito celestial. Crê-se nessa doutrina que
no corpo de um ser humano que foi Jesus, habitou o espírito celestial de
Cristo, e crê-se que foi por isso que Jesus afirmou que iria destruir o
templo de Deus em 3 dias, e em 3 dias o reconstruiria. Ao dizer isso, crê-se
que Jesus não se estava referindo ao templo de Israel, mas sim ao seu próprio
corpo, que era um templo, ( uma habitação), onde habitava o espírito do filho
de Deus, ( Cristo), e que o seu corpo, ( o templo), seria destruído, ( morto
e crucificado), para que em 3 dias o espírito que nele habitava a ele
regressasse e se operasse a ressurreição. Por assim ser, assim se
explica que Jesus haja dito no momento da sua morte: «Deus, porque me
abandonaste?», ou seja, não porque Deus o tivesse realmente abandonado, mas
porque o espírito de Cristo que habitava no corpo humano de Jesus dele saiu,
para 2 dias depois regressar, operando-se a ressurreição. Tudo isto vem dar
força ao ensinamento que Jesus afirmou, e no qual dizia que o «corpo é o
templo no qual habita o espírito», pois que em verdade o corpo do ser humano
Jesus, foi o templo onde habitou o espírito celestial de Cristo, o filho de
Deus. E porque assim se crê que
num homem pode habitar um espírito superior, e porque se crê que assim
acontece com os santos, ( que são por isso pessoas escolhidas por Deus para
neles residir um espírito de Deus), assim se professa a devoção e crença nos
santos, sendo que de todos os santos Jesus
é tido como o SANTO DOS SANTOS. Contudo, o «caminho dos
santos» mesma nas suas ramificações europeia – cristas, continua a conter no
seu corpo de crenças, tal como nas doutrinas originais da santeria, a
vertente da prática mística. O «caminho dos santos» continua por isso a
professar igualmente a celebração de praticas místicas e espirituais, (
aquilo a que se chama vulgarmente de «magia», ou de «feitiçaria»), através
das quais se tenta invocar e contactar com espíritos, ( á imagem do que
sucedia nas religiões africanas), sendo que tal não é visto como motivo de
«pecado», mas sim como um exercício de fé e de contacto com o mundo
espiritual e por isso… com Deus, que é senhor de todos os espíritos. Tal como
nas religiões africanas o contacto com os espíritos ancestrais é um elemento
fundamental do seu corpo de crenças, também no caminho dos santos o contacto
e a intercedencia com os espíritos dos santos, assim como com os espíritos em
geral, é uma pratica considerada legitima e fundamental.
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Nas doutrinas ocidentalizadas do caminho
dos santos, considera-se normalmente que Deus é um ser poderosíssimo, cuja
a vastidão, poder e complexidade é de tal forma infinita que a mente humana
jamais poderá aspirar a conhece-Lo na sua plenitude. Diz um velho
provérbio, que: «O ser humano é menor que um grão de mostarda diante de Deus,
sendo que Deus é maior que a maior das montanhas diante do grão de
mostarda». Assim, não pode o homem aspirar a conhecer um ser de tamanha amplitude,
mas antes e apenas pode o homem aspirar a adorar Deus, a ter fé em Deus, ( essa
sim, sendo apenas do tamanho de um grão de mostarda, pode contudo operar o
milagre), e aceitar a sua existência, os seus mistérios e os seus desígnios.
Deus é um ser distante no sentido em que é um ser que reside nas próprias
origens da criação, e é por isso uma essência de tamanha sabedoria, luz e
vastidão que ao ser é humano impossível alcançar ou perceber a sua glória.
Nesse contexto, a adoração de espíritos de santos, (espíritos sábios, poderosos
e ancestrais), que são espíritos elevados a um plano superior da existência, é
uma das formas de tentar um contacto com essa essência grandiosa que é Deus. Os
espíritos dos santos tem poder e sabedoria para operar milagres, e os espíritos
dos santos podem através do plano elevado em que habitam, interceder com maior
eficácia junto de Deus. Daí a crença na pratica do contacto com os espíritos, (
sejam os espíritos de santos, ou espíritos elementais, ou espíritos em geral),
como forma de não apenas apelar aos seus poderes, como de apelar a uma
intercedência eficaz junto de Deus.
O dom de contactar com espíritos, ou de
tentar interceder junto de espíritos, ( sejam espíritos de anjos, de ancestrais
falecidos, de demónios ou de forças terrenais), não é visto como um pecado mas
sim como um instrumento de Deus.
Esse dom é tido como o dom da sabedoria e da
fé.
Esse dom, não é tido nem como bom, nem como
mau, mas antes como um exercício de fé. E esse exercício é bom se for
professado conforme os projectos de Deus.
Assim se pode observar nas escrituras:
Moisés
afirmou que o contacto com espíritos de Deus, ( o dom da profecia), era santo e
era bom.
Salomão
contactou
com espíritos de Deus e espíritos de demónios.
Jesus
contactou com espíritos, fosse com espíritos de ancestrais falecidos, ( Elias e
Moises), fosse com espíritos de demónios, ( Jesus comunicou com um
demónio nos 40 dias de estadia no deserto, assim como contactou com outros
vários demónios e espíritos para operar os exorcismos), sendo que possuiu
dentro de si o espírito do filho de Deus, ou seja, o espírito de Cristo
Daniel
contactou
com espíritos de Deus
Balaão
embora praticando magias, contactou e dialogou com um anjo de Deus
Os discípulos
de Jesus foram incorporados por espíritos de Deus, após o qual começaram a
falar em diversas línguas e operaram milagres
Os três
magos do oriente que presenciaram o nascimento de Jesus comunicaram com um
espírito vindo de Deus
Diversos foram os santos que comunicaram ora com anjos, ora foram visitados por
demónios
Enfim:
As escrituras e toda a história do
Cristianismo estão por isso repleta de exemplos de pessoas que
comunicaram com espíritos, atestando-se que tal constitui uma prática
santa e não um pecado.
As práticas do caminho dos santos nas suas
versões europeia - cristas, tendem a professar o contacto com espíritos através
de métodos litúrgicos mais ortodoxos, ou seja, através da celebração de missas
e rituais nos quais se operam processos esotéricos, (ocultos, herméticos e
secretos), com a finalidade de invocar espíritos e de pedir intercedências
junto de santos que são objecto de culto e adoração.
Tais práticas tendem comummente ser
confundidas com práticas de bruxaria ou feitiçaria, (até porque os processos
são bastante análogos), sendo contudo que na sua essência constituem confissões
religiosas bastante distintas, pois que este «caminho dos santos» é um caminho
profundamente devoto dos santos, de Jesus Cristo e do Criador, sendo que nele
se respeita sempre e em ultima instancia a vontade de Deus.
A crença nos santos possui a sua raiz mais
profunda na própria crença nos espíritos e no transcendental mundo dos
espíritos.
A crença nos «santos» pressupõem a crença no
«espírito» que sobrevive á morte do corpo, pois que se crê que um santo é uma
pessoa que em vida havendo sido um exemplo de fé e de entrega a Deus, então
depois da morte do corpo porem o espírito dessa pessoa contínua existindo e
operando os seus prodígios.
Assim sendo, eis que se crê que apelando a um
«santo», você esta apelando a um «espírito» ancestral que já habitou neste
mundo, para que esse espírito que agora habita na realidade celestial do mundo
do espírito, então ele possa ora pessoalmente actuar em seu favor numa certa
causa, ora que ele interceda junto de quem possa actuar para seu favorecimento.
Neste aspecto, a crença nos santos é uma
crença espírita e espiritualista, tal com a crença nos anjos, com a única
diferença que se anjos são espíritos ancestrais que existem desde os primórdios
da criação, já os santos são espíritos de pessoas de «carne e osso» que tendo
falecido, porem os seus espíritos transitaram para as esferas espirituais.
Sobre os santos, assim podemos ler:
Moisés (…) Deus tornou-o glorioso como
os SANTOS
Eclesiástico 45,1-2
E também assim está escrito:
O Senhor elevou Araão a um SANTO (…)
estabeleceu com ele uma aliança
Eclesiástico 45, 6-14
Assim se sabe que Moisés e Araão foram homens
que tendo vivido neste mundo «em carne e osso», porem depois da morte os seus
espíritos continuaram vivendo no «outro mundo», e foram elevados por Deus á
categoria de «santos», sendo que assim eles foram tornados espíritos gloriosos
com quem Deus estabeleceu uma aliança, e que por isso são espíritos com poder
para em espírito operarem prodígios e maravilhas.
Assim, eis que se sabe também que é Deus que
eleva os espíritos escolhidos á santidade.
Eis que assim também se sabe que aquele
«espírito» que for pelo Senhor elevado a «santo», esse será um «espírito
santo».
E mais assim se sabe conforme assim se pode
ler:
O Senhor virá para ser
glorificado nos seus SANTOS
Tessalonicenses1,10
Pois assim se sabe:
È através dos «santos» que Deus veio, vem e
virá a este mundo para se glorificar e recompensar todos aqueles de fé, assim como
é através dos seus santos, que Deus se manifesta neste mundo.
È pois a esta crença espírita e
espiritualista nos «espíritos» e em «Deus» que é «espírito», que reside a
essência da mensagem espiritual e religiosa que a Santeria anuncia ao mundo.
E isso, porque olhai que assim se pode ler:
Moisés disse a Deus: «(…) Senhor, o
Deus dos espíritos(…)»
Números 27,15
Assim se sabe:
«Deus» é «espírito», e «Deus» é o «Senhor»
dos «espíritos», e «Deus» é o «Senhor» do «mundo» dos «espíritos».
Pois então assim se professa:
O contacto e o clamor aos «espírito» e ao
«mundo dos espíritos», ( «santos» são «espíritos» que habitam no «mundo dos
espíritos»), é coisa que se feita em
Deus e por Deus, então será sempre coisa santa e boa.
Assim ensinou Jesus, o Santo dos Santos:
Deus é espírito
João 4,24
E mais assim:
O espírito é que dá a vida, a carne não
serve para nada
João 6,63
E mais assim foi ensinado:
Na ressurreição (…) os homens e as
mulheres (…) serão como os anjos do Céu
Mateus 22,30
Pois assim se crê: a morte do corpo não é o
fim da vida, pois a vida reside no espírito e não na carne, e o corpo morrendo
porem os espíritos perduram, e o espírito é a fonte da vida.
Mais assim se sabe: após a morte do corpo o
espírito prossegue existindo, e o espírito dos homens e mulheres partidos deste
mundo para essa realidade espiritual são como os anjos do Céu.
E por isso, assim foi instruído pelo Santo
dos Santos:
Vão adorar o Pai em espírito (…) porque
esses são os adoradores que o Pai procura (…) Aqueles que O adoram, devem adora-lO
em espírito
João 4,24
Pois assim: venerar ao espírito, procurar aos
espíritos, e adorar em espírito, é fazer e adorar conforme Deus manda através
do seu Santo dos Santos: È por isso nos «espíritos», nos «santos
espíritos», e «em espírito», que a doutrina religiosa da Santeria professa
a sua crença e veneração.
Assim sendo:
A grande família da fé cristã é fonte de uma
enorme riqueza espiritual que não se reduz apenas ao catolicismo Apostólico –
Romano centrado em Roma e no Vaticano, mas sim nele coexistem e florescem
muitas outras fontes de fé e doutrinas, nomeadamente:
Baptistas, Adventistas,
Jeová, Mórmones, Evangelistas, Anglicanos, Metodistas, Luteranos, Calvinistas,
Presbiterianos, Pentecostais, etc
Pois tal como em todos os demais
citados casos, a doutrina do «caminho
dos santos» é uma das ramificações do «cristianismo».
Nesse caminho são em traços gerais
professados 7 pilares de fé fundamentais, e 7 princípios teológicos basilares,
e eles são:
….+….
Os 7 PRINCIPIOS
DOUTRINARIOS BASILARES DA RELIGIAO DA SANTERIA, NA SUA RAMIFICAÇAO e LINHA
«HEBRAICO – CRISTû
PRIMEIRO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professada a fé nos SANTOS,
sendo que Jesus Cristo é tido como o SANTO
DOS SANTOS.
SEGUNDO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professada a especial fé no ESPIRITO SANTO, (conforme revelado em Marcos 1,10-12; Lucas 3,21-22), e no seu oculto mistério, pois que foi esse misterioso Espírito que no momento do baptismo se fez revelar incorporado na forma de uma pomba, e que anunciou a divina filiação de Jesus.
TERCEIRO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professada a fé em SÃO CIPRIANO e SANTA MARIA
MADALENA.
QUARTO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professado que através dos SANTOS se podem
alcançar tanto as BENÇÃOS como as MALDIÇÕES de Deus, e anunciado que a prática
do ESOTERISMO e da ESPIRITUALIDADE se for celebrada conforme os ensinamentos
bíblicos, não são coisas pecaminosas… mas sim e apenas o mero cumprimento
daquilo que as escrituras revelam que pode e deve ser feito para alcançar
dadivas, prosperidades e fertilidades através do poder que Deus manifesta em
todas as coisas.
QUINTO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professado que o tal como dizem as
escrituras, Deus é um ESPIRITO, (João 4,24), e Deus é Senhor de todos os
ESPIRITOS, (Números 16,22), e por isso que o contacto e invocação de espíritos
sob a autoridade de Deus não é um pecado mas sim o cumprimento do revelado na
Palavra de Deus, feito conforme Moisés o fez; Também é professado que Deus tem
sob seu poder não apenas «alguns» espíritos mas sim «todos» os espíritos, e que
por isso Deus tem ao seu serviço tanto espíritos bons como espíritos de trevas,
e que por isso tanto uns como outros podem ser invocados e comandados através
do poder de Deus e dos santos de Deus, tal como o foram através de Moisés que
tanto teve ao seu serviço anjos bons de Deus,( que guiaram o seu povo no
deserto, alimentando-o e salvando-o dos perigos - Êxodo 23, 20-), como anjos de destruição, ( que realizaram feitos
de CIENCIAS OCULTAS diante do faraó -Exodo7,10-13 -, e
que atingiram o Egipto com terríveis pragas e devastação -Salmo 78,43;49-). É por isso professado que Deus tanto pode usar
anjos ao seu serviço, ( como aquele que auxiliou Tobias, ou aquele que se dirigiu a Balaão, ou aquele
que falou com o profeta Daniel, ou aquele que anunciou a Maria o nascimento de
Jesus), como igualmente pode usar demónios e espíritos maus ao seu serviço, (
como aquele que Deus usou contra o Rei Saul para o desgraçar, ou como aquele
que Deus usou contra Job para lhe testar a fé, ou como aquele que Deus usou para
colocar discórdia entre Abimelec e os senhores de Siquem), e por isso se crê
que Deus é senhor de todas as coisas, e que para o Senhor usar de anjos e
bênçãos, (aquilo a que comummente se chama «magia branca»), como de demónios e
maldições, ( aquilo a que vulgarmente se chama «magia negra»), tudo é possível
a Deus e tudo d’Ele provem. E assim, eis que se professa que todas essas obras
do espírito podem ser realizadas através de um santo de Deus como era Moisés,
como era Balaão, como era Daniel, como era Salomão, como era os três magos de
Jesus, e como era são Cipriano.
SEXTO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professado que Moisés foi um mago que
realizou feitos de ciências ocultas
iguais e maiores aos dos magos do Egipto,
( Êxodo 7,8-11;17;21-22; 8,1-3;
12-18; 9,8-11); professado que Balaão foi igualmente um mago
que realizou as suas artes espirituais ao serviço de Deus e que foi por
Deus abençoado com a profecia de Jesus, (Números 21,6-7;18; 24,13); professado que Daniel, ( também chamado Baltazar),
foi igualmente um mago da corte do
rei da Babilónia, (Daniel 4,5;6; 16;
5,12-14); professado que magos
foram aqueles três que foram
chamados pelo Deus dos Céus e das Alturas a testemunhar o nascimento de Jesus,
o Santo dos santos,( Mateus 2,1-12); Tudo isto é professado, e por isso o
caminho da magia celebrado conforme Moisés,
Balaão, Daniel e os três magos de
Jesus, é um caminho espiritual santo e de Deus, conforme santos foram estes magos. È por isso a Moisés,
Balaão, Daniel, aos 3 magos de Jesus,
a são Cipriano e a santa Maria Madalena, que nesta
doutrina são prestados especial culto
religioso e devota veneração
espiritual. E porem, eis que é igualmente professado que no «caminho dos
santos» não se pratica a «magia» pela «magia», nem a «magia» em nome da
«magia», mas sim se a «magia» é praticada ela é-o em nome de Deus e dos Santos
de Deus, tal como se crê que o fez Moisés,
tal como se crê que o fez Balaão,
tal como se crê que o fez Daniel, e
tal como se crê que o fizeram os 3 Magos
que testemunharam o nascimento de Jesus Cristo. Assim, nesta doutrina o «acto
magico» é apenas considerado enquanto um acto litúrgico e ritual de apelo ás bênçãos de Deus, (a chamada «magia
branca»), ou ás maldições de Deus
,(a chamada «magia negra»), celebradas estritamente conforme os santos
ensinamentos esotéricos da Bíblia, da Torah hebraica, da kabalah Hebraica e de
santos saberes de são Cipriano.
SETIMO
PRINCIPIO DOUTRINARIO -
Professado que «magia
branca» é na verdade o apelo ás «bênçãos» de Deus, e que a «magia negra» é na
verdade o apelo ás «maldições de Deus», e que porem a «magia», seja ela
«branca» ou «negra», toda ela é coisa do «mundo do espírito» e do «espírito», e
que por isso toda ela provem de Deus, pois que está provado e escrito: «Ponho diante de vós a bênção e a maldição»
– Deuteronómio 11,26 , atestando-se
assim que é Deus que é Dono e Senhor de toda a «bênção» e de toda a «maldição»,
e que todas elas d’Ele provem, e por Ele operam, e foram por Ele criadas. Mais se crê e professa que a tanto a bênção de Deus, ( a
chamada «magia branca),como a maldição de Deus, ( a chamada «magia negra»),
ambas podem ser operadas clamando a Deus, e isso assim se atesta neste
mandamento que assim está revelado: «O sacerdote escreverá esta MALDIÇÃO num
documento (…)e o sacerdote fará este ritual - Números 5,23;29-30 – Pois
assim se sabe: aos sacerdotes que veneram a Deus é instruído não apenas clamar
ás bênçãos de Deus, como lhes é instruído clamar ás maldições de Deus, e isso
assim se testemunha e confirma neste mandamento. E por isso assim se crê que com Deus
todas as bênçãos e magias dão fruto, e sem Deus nenhuma delas dará fruto algum,
e que assim todas elas devem ser exercidas dentro de Deus, em Deus, e jamais
fora de Deus. Por isso: é professado que Deus não é Senhor de apenas «algumas
coisas» mas sim de «todas as coisas», e que por isso tanto as bênçãos de Deus, (a chamada «magia
branca»), como as suas maldições, (a
chamada «magia negra»), podem ser clamadas a Deus em favor do sofredor, e assim
sendo podem essas bênçãos ou maldições manifestar-se neste mundo através de um
santo de Deus, tal como se manifestaram através de Moisés, tal como se
manifestaram em Abraão, tal como se manifestaram em Balaão, e tal como
professamos que se manifestam em são Cipriano e em Santa Maria Madalena.
Texto extraído do
«Manifesto Doutrinário» © do altar de São Cipriano, conforme registo em Oficio
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