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Santeria,
o Caminho dos Santos A santeria, constitui o chamado «caminho
dos santos», ou seja, a dedicadíssima e especial adoração dos santos. As
doutrinas espirituais da santeria desenvolveram-se a partir da
simbiose entre o cristianismo e as crenças religiosas de origem africana,
havendo-se esta doutrina religiosa fundado em países como Brasil, Cuba,
Panamá, Porto Rico, Republica Dominicana, Venezuela, Argentina, México e
tendo-se propagado ate mesmo nos Estados Unidos da América, Espanha e França.
As
origens da santeria residem num processo de sincretismo entre as religiões de
origem africana, ( religiões onde a crença em espíritos ancestrais se
encontra profundamente presente), e o cristianismo que foi levado aos povos
africanos através dos movimentos de colonização das potencias europeias entre
os sec. XV e XVII, nomeadamente os reinos inglês, francês, português e
espanhol, que maioritariamente dominavam o espectro do cenário colonial a
nível mundial. Assim,
confrontados com as evangelizações obrigatórias que os padres missionários
impunham aos escravos, os povos colonizados passaram a adorar certos santos
cujas características mais se assemelhavam com os seus espíritos ascestrais,
e assim nasceu todo o processo de sincretismo religioso através do qual os
missionários julgavam observar com sucesso a implantação da fé cristã nos
povos recentemente evangelizamos, ao mesmo tempo que os escravizados
descobriam uma forma de conseguir , em segredo, manter e praticar as suas
próprias crenças religiosas. Com o passar do tempo, os povos
colonizados começaram efectivamente a assimilar com grande profundidade as
crenças cristas, ao passo que perpetuando as suas praticas espirituais
ancestrais, o que conduziu ao nascimento de uma nova corrente religiosa de
natureza efectivamente cristã, a que se denominou «o caminho dos santos». Assim
e como a história é um processo constantemente evolutivo que se desdobra em
espirais, se da Europa partiu o cristianismo para todo o mundo, séculos mais
tarde o cristianismo imbuído dos princípios espirituais dos povos que tocou,
acabou retornando á Europa. Actualmente, no ocidente
europeu, ( Espanha, Portugal, França, Italia, etc), as crenças religiosas da santeria
já se implantaram e são praticadas com grande veneração, se bem
que de formas mais afastadas das suas doutrinas originais de África e do
continente Americano, ou seja, não tão enraizadas nos princípios das
religiões africanas, mas mais associadas e centradas nas crenças doutrinarias
do cristianismo. As ramificações actuais da
santeria praticada na Europa, ( o chamado «caminho dos santos»),
assenta mais na predominância de devoção a Jesus Cristo, ( aquele a quem se
chama o SANTO DOS SANTOS), assim como na fidelíssima devoção de santos
cristãos. Na doutrina europeia -
cristã do «caminho dos santos», Jesus é tido não apenas como um ser
puramente divino, mas antes como um homem de «carne e osso» no qual habitou
um espírito celestial. Crê-se nessa doutrina que
no corpo de um ser humano que foi Jesus, habitou o espírito celestial de
Cristo, e crê-se que foi por isso que Jesus afirmou que iria destruir o
templo de Deus em 3 dias, e em 3 dias o reconstruiria. Ao dizer isso, crê-se
que Jesus não se estava referindo ao templo de Israel, mas sim ao seu próprio
corpo, que era um templo, ( uma habitação), onde habitava o espírito do filho
de Deus, ( Cristo), e que o seu corpo, ( o templo), seria destruído( morto e
crucificado), para que em 3 dias o espírito que nele habitava a ele
regressasse e se operasse a ressurreição. Por assim ser, assim se
explica que Jesus haja dito no momento da sua morte: «Deus, porque me
abandonaste?», ou seja, não porque Deus o tivesse realmente abandonado, mas
porque o espírito de Cristo que habitava no corpo humano de Jesus dele saiu,
para 2 dias depois regressar, operando-se a ressurreição. Tudo isto vem dar
força ao ensinamento que Jesus afirmou, e no qual dizia que o «corpo é o
templo no qual habita o espírito», pois que em verdade o corpo do ser humano
Jesus, foi o templo onde habitou o espírito celestial de Cristo, o filho de
Deus. E porque assim se crê que
num homem pode habitar um espírito superior, e porque se crê que assim
acontece com os santos, ( que são por isso pessoas escolhidas por Deus para
neles residir um espírito de Deus), assim se professa a devoção e crença nos
santos, sendo que de todos os santos Jesus
é tido como o SANTO DOS SANTOS. Contudo, o «caminho dos
santos» mesma nas suas ramificações europeia – cristas, continua a conter no
seu corpo de crenças, tal como nas doutrinas originais da santeria, a
vertente da prática mística. O «caminho dos santos» continua por isso a
professar igualmente a celebração de praticas místicas e espirituais, (
aquilo a que se chama vulgarmente de «magia», ou de «feitiçaria»), através
das quais se tenta invocar e contactar com espíritos, ( á imagem do que
sucedia nas religiões africanas), sendo que tal não é visto como motivo de
«pecado», mas sim como um exercício de fé e de contacto com o mundo
espiritual e por isso… com Deus, que é senhor de todos os espíritos. Tal como
nas religiões africanas o contacto com os espíritos ancestrais é um elemento
fundamental do seu corpo de crenças, também no caminho dos santos o contacto
e a intercedencia com os espíritos dos santos, assim como com os espíritos em
geral, é uma pratica considerada legitima e fundamental.
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Nas doutrinas ocidentalizadas do caminho
dos santos, considera-se normalmente que Deus é um ser poderosíssimo, cuja
a vastidão, poder e complexidade é de tal forma infinita que a mente humana
jamais poderá aspirar a conhece-Lo na sua plenitude. Diz um velho
provérbio, que: «O ser humano é menor que um grão de mostarda diante de Deus,
sendo que Deus é maior que a maior das montanhas diante do grão de
mostarda». Assim, não pode o homem aspirar a conhecer um ser de tamanha
amplitude, mas antes e apenas pode o homem aspirar a adorar Deus, a ter fé em
Deus, ( essa sim, sendo apenas do tamanho de um grão de mostarda, pode contudo
operar o milagre), e aceitar a sua existência, os seus mistérios e os seus
desígnios. Deus é um ser distante no sentido em que é um ser que reside nas
próprias origens da criação, e é por isso uma essência de tamanha sabedoria, luz
e vastidão que ao ser é humano impossível alcançar ou perceber a sua glória.
Nesse contexto, a adoração de espíritos de santos, (espíritos sábios, poderosos
e ancestrais), que são espíritos elevados a um plano superior da existência, é
uma das formas de tentar um contacto com essa essência grandiosa que é Deus. Os
espíritos dos santos tem poder e sabedoria para operar milagres, e os espíritos
dos santos podem através do plano elevado em que habitam, interceder com maior
eficácia junto de Deus. Daí a crença na pratica do contacto com os espíritos, (
sejam os espíritos de santos, ou espíritos elementais, ou espíritos em geral),
como forma de não apenas apelar aos seus poderes, como de apelar a uma
intercedência eficaz junto de Deus.
O dom de contactar com espíritos, ou de
tentar interceder junto de espíritos, ( sejam espíritos de anjos, de ancestrais
falecidos, de demónios ou de forças terrenais), não é visto como um pecado mas
sim como um instrumento de Deus.
Esse dom é tido como o dom da sabedoria e da
fé.
Esse dom, não é tido nem como bom, nem como
mau, mas antes como um exercício de fé. E esse exercício é bom se for
professado conforme os projectos de Deus.
Assim se pode observar nas escrituras:
Moisés
afirmou que o contacto com espíritos de Deus, ( o dom da profecia), era santo e
era bom.
Salomão
contactou
com espíritos de Deus e espíritos de demónios.
Jesus
contactou com espíritos, fosse com espíritos de ancestrais falecidos, ( Elias e
Moises), fosse com espíritos de demónios, ( Jesus comunicou com um
demónio nos 40 dias de estadia no deserto, assim como contactou com outros
vários demónios e espíritos para operar os exorcismos), sendo que possuiu
dentro de si o espírito do filho de Deus, ou seja, o espírito de Cristo
Daniel
contactou
com espíritos de Deus
Balaão
embora praticando magias, contactou e dialogou com um anjo de Deus
Os discípulos
de Jesus foram incorporados por espíritos de Deus, após o qual começaram a
falar em diversas línguas e operaram milagres
Os três
magos do oriente que presenciaram o nascimento de Jesus comunicaram com um
espírito vindo de Deus
Diversos foram os santos que comunicaram ora com anjos, ora foram visitados por
demónios
Enfim:
As escrituras e toda a história do
Cristianismo estão por isso repleta de exemplos de pessoas que
comunicaram com espíritos, atestando-se que tal constitui uma prática
santa e não um pecado.
As práticas do caminho dos santos nas suas
versões europeia - cristas, tendem a professar o contacto com espíritos através
de métodos litúrgicos mais ortodoxos, ou seja, através da celebração de missas
e rituais nos quais se operam processos esotéricos, (ocultos, herméticos e
secretos), com a finalidade de invocar espíritos e de pedir intercedências
junto de santos que são objecto de culto e adoração.
Tais práticas tendem comummente ser
confundidas com práticas de bruxaria ou feitiçaria, (até porque os processos
são bastante análogos), sendo contudo que na sua essência constituem confissões
religiosas bastante distintas, pois que este «caminho dos santos» é um caminho
profundamente devoto dos santos, de Jesus Cristo e do Criador, sendo que nele
se respeita sempre e em ultima instancia a vontade de Deus.
A grande família da fé cristã é fonte de uma
enorme riqueza espiritual que não se reduz apenas ao catolicismo Apostólico –
Romano centrado em Roma e no Vaticano, mas sim nele coexistem e florescem
muitas outras fontes de fé e doutrinas, nomeadamente:
Baptistas, Adventistas, Jeová, Mórmones,
Evangelistas, Anglicanos, Metodistas, Luteranos, Calvinistas, Presbiterianos,
Pentecostais, etc
Pois tal como em todos os demais citados
casos, a doutrina do «caminho dos santos» é uma das ramificações do
cristianismo.
Nesse caminho são em traços gerais
professados 7 pilares de fé fundamentais, e 7 princípios teológicos basilares,
e eles são:
1) Professada a fé nos SANTOS, sendo que
Jesus Cristo é tido como o SANTO DOS SANTOS
2) Professada a especial fé no ESPIRITO SANTO, (conforme revelado em Marcos 1,10-12; Lucas 3,21-22), e no seu oculto mistério, pois que foi o Espírito que no momento do baptismo se fez revelar incorporado na forma de uma pomba e anunciou a divina filiação de Jesus.
3) Professada a fé em SÃO CIPRIANO e SANTA
MARIA MADALENA
4) Professado que através dos SANTOS se podem
alcançar tanto as BENÇÃOS como as MALDIÇÕES de Deus, e anunciado que a pratica
do ESOTERISMO e da ESPIRITUALIDADE se for celebrada conforme os ensinamentos
bíblicos, não são coisas pecaminosas… mas sim e apenas o mero cumprimento
daquilo que as escrituras revelam que pode e deve ser feito para alcançar
dadivas, prosperidades e fertilidades através do poder que Deus manifesta em
todas as coisas.
5) Professado que o tal como dizem as escrituras, Deus é um ESPIRITO, (João 4,24), e Deus é Senhor de todos os ESPIRITOS, (Números 16,22), e por isso que o contacto e invocação de espíritos sob a autoridade de Deus não é um pecado mas sim o cumprimento do revelado na Palavra de Deus, feito conforme Moisés o fez; Também é professado que Deus tem sob seu poder não apenas «alguns» espíritos mas sim «todos» os espíritos, e que por isso Deus tem ao seu serviço tanto espíritos bons como espíritos de trevas, e que por isso tanto uns como outros podem ser invocados e comandados através do poder de Deus e dos santos de Deus, tal como o foram através de Moisés que tanto teve ao seu serviço anjos bons de Deus,( que guiaram o seu povo no deserto, alimentando-o e salvando-o dos perigos - Êxodo 23, 20-), como anjos de destruição, ( que realizaram feitos de CIENCIAS OCULTAS diante do faraó -Exodo7,10-13 -, e que atingiram o Egipto com terríveis pragas e devastação -Salmo 78,43;49-). E assim, eis que tudo isso foi assim realizado através de um santo de Deus como era Moisés, e tudo isso assim foi realizado pelo poder de Deus, ou seja, tanto a chamada «magia branca», como a chamada «magia negra».
6) Professado que no «caminho dos santos» não
se pratica a «magia» pela «magia», nem a «magia» em nome da «magia», mas sim se
a «magia» é praticada ela é-o em nome de Deus e dos Santos de Deus, tal como se
crê que o fez Moisés, tal como se crê que o fez Balaão e como se crê que o
fizeram os 3 Magos que testemunharam o nascimento de Jesus Cristo. Assim, nesta
doutrina o «acto magico» é apenas considerado enquanto um acto litúrgico e
ritual de apelo ás bênçãos de Deus, (a chamada «magia branca»), ou ás maldições
de Deus ,(a chamada «magia negra»), celebradas estritamente conforme os santos
ensinamentos esotéricos da Bíblia, da Torah hebraica, da kabalah Hebraica e de
santos saberes de são Cipriano.
7) Professado que Deus não é Senhor de apenas
«algumas coisas» mas sim de «todas as coisas», e que por isso tanto as bênçãos
de Deus, (a chamada «magia branca»), como as suas maldições, (a chamada «magia
negra»), podem ser clamadas a Deus em favor do sofredor, e assim sendo podem
essas bênçãos ou maldições manifestar-se neste mundo através de um santo de
Deus, tal como se manifestaram através de Moisés, tal como se manifestaram em
Abraão, tal como se manifestaram em Balaão, e tal como professamos que se
manifestam em são Cipriano e em Santa Maria Madalena.
Texto extraído do
«Manifesto Doutrinário» © do altar de São Cipriano, conforme registo em Oficio
legal nº 5244-MC; averb Reg. Nº 5847/2009
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