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Necromancia,
Videncia, Mediunidade, Possessão, Oraculos·
«se durante o surgimento de uma aparição,
( espirito), houver uma vela acessa num recinto, ela ficará com uma chama azul»
In: A Provencial Glossary; Francis Grose; Sec XVIII
A necromancia
define-se enquanto um processo metafisico ou sobrenatural, atraves do qual se
consegue contacto com os mortos. Trata-se por isso do contacto, ou com
os espiritos dos mortos, ou com os espiritos ancestrais.
A necromancia acaba abordando sempre 2 tipos de espiritos que se
encontram no mundo dos mortos, ou seja, no mundo daqueles que nao estao vivos
na carne, o dito «mundo do Alem», ou o mundo que esta para alem desta
realidade fisica.
Os espiritos abordados sao:
A morte, ou seja, a passagem para esse outro mundo, é a porta que a
necromancia abre todos os dias e que permite para quem a pratica, comunicar com
os espiritos.
A necromencia continua sendo praticada nos dias de hoje, sendo atraves
de tábuas de Ouijá, sendo pelo uso de instrumentos como pendulos
ou varas, seja atraves daquilo a que se denomina «espiritismo».
Se bem que as doutrinas espiritas possam advogar imensas teses que
justificam as suas praticas, o facto é que a sua acção é um exercicio de
comunicação com os espiritos de pessoas falecidas e nesse aspecto, nao é nem
mais nem menos que a pratica de necromancia.
No entanto, nao se escandalizem os defensores do espiritismo quando sao comparados
á arte necormantica, pois a questao da necromancia é altamente ambigua nos
textos sagrados.
Exemplo disso:
Por isso, podemos facilmente entender que, no que respeita á necromancia,
os autores Biblicos consideram-na um pecado mortal quando praticada por bruxos,
e um poder divino de Deus quando realizada por profetas de Deus. Ou seja:
quando é feito pelos outros é mau, quando é feito por mim é bom.
Os oraculos
Um oraculo é uma resposta dada por um Deus a uma questao especifica que
é colocada a essa deidade.
A questao é colocada por quem consulta esse Deus, e a resposta é facultada por
uma pessoa que se encontra em contacto e dialogo com o mesmo Deus. Essa pessoa
é um intermediário entre os humanos que procuram ajuda divina e o Deus.
Na antiguidade esse papel era desempenhado pelos sacerdotes dos Templos
dedicados aos Deuses. Esses sacerdotes e sacerdotizas tinham essencialmente 2
funções:
Esses sacerdotes e sacerdotizas eram pessoas diferentes,pois eram
pessoas cujo o corpo se encontrava aberto ao espirito do Deus que
adoravam. Por assim ser, os sacerdotes e sacerdotizas eram instrumentos por via
dos quais o Deus podia comunicar com os mortais. A deidade podia por isso, uma
vez invocada, entrar no corpo do sacerdote ou sacerdotiza, possuindo-os,
e habitando nesse corpo o tempo que desejasse. E habitando no corpo,
possuindo-o, a deidade podia comunicar com o mundo fisico, com o mundo dos
vivos. Esta forma de comunicação com os espiritos existe desde sempre, e é
profundamente necromantica.
Nesta pratica espiritual, há um objectivo de contactar o mundo dos mortos ou
o mundo dos espiritos para fins oraculares, e isso, é nem mais nem menos
que necromancia.
Nesta pratica espiritual, há assim um intermediário entre o mundo dos vivos e o
mundo dos mortos, ( quando falamos de «mundo dos mortos», leia-se: o
mundo dos espiritos, onde estao os espiritos dos que ja morreram, assim como os
espiritos ancestrais aos quais chamamos Deuses), sendo que essa pessoa abre-se
á entrada de um espirito no seu proprio corpo, permitindo assim a
ocorrencia de uma possessao voluntária, ou seja, uma possessão que foi
consentida pela própria pessoa possuida. Essa pessoa é escolhida nao por nenhum
humano vivo, mas sim pelo próprio espirito ou pela própria deidade. O espirito
ou a deidade escolhem fazer daquela pessoa uma das suas «casas», ou
seja, um dos locais onde optam por habitar temporariamente cada vez que desejam
aceder a esta mundo. Deuses sao espiritos e espiritos nao tem corpo. Para
aceder a este mundo, eles precisam entrar num corpo, e eles mesmos escolhem os corpos
nos quais fixam residencia para esses fins. Esta tese é tao antiga
quanto as proprias praticas espirituais, e ja podemos encontrar exemplos disso
na antiguidades religiosa do Egipto.
A palavra «Faraó» sinifica «a grande casa», ou o «templo».
Isso porque acreditava-se que o faraó era a «casa» onde habitava o
espirito de um Deus. Tal como se acreditava que um Deus podia habitar num
Templo que lhe tivesse sifo erguido e dedicado, e que assim um Templo era na
verdade uma das casas do Deus ao qual era dedicado ou seja, um templo era uma
casa em que um espirito divino podia habitar, tambem o corpo do Faraó era um
templo ou uma casa na qual o espirito de um Deus podia entrar e habitar durante
o tempo que desejasse. Na verdade, o Faraó tinha, ( segundo as noções
religiosas da antiguidade Egipcia), o corpo aberto e era passivel de ser
possuido pelo espirito de um Deus. Por isso, quando se dizia que o Faraó era um
um Deus, nao se estava dizendo, ( como alguns julgam hoje em dia), que o Faraó
se fazia passar por um Deus de verdade. O Faraó , ( bem como os seus subditos),
tinha a perfeita noção que era feito de carne e osso, que era mortal e que era humano
tal como os demais. Por isso , nao se tratava, ( como alegam alguns hoje em
dia), de um truque para enganar ignorantes.O que se estava dizendo, é que o
Faraó era uma pessoa passivel de ser possuida por um espirito e que esse
espirito encontrou naquele corpo uma habitação que lhe era agradavel e na qual
o espirito é livre de ingressar.
A noção do corpo de um humano como habitação de uma entidade
espiritual tem reflexo até mesmo nos textos biblicos. Repare-se que Jesus,
certa vez visitando o Templo de Javé, declarou: «Este é o Templo de Deus.
Pois irei destruir pedra por pedra este templo, e em 3 dias o reconstruirei».
Os sacerdotes do templo ao ouvir tais palavras, ridicularizaram Jesus, rindo-se
e dizendo que aquele solido templo feito de grandes pedras demorou umas
centenas de anos a ser construida, e que aquele lunatico se propunha a
destrui-lo num dia e reconstrui-lo em 3 dias, o que apenas confirmava a
insanidade do profeta.Pois a verdade é que Jesus estava na verdade a referir-se
nao ao Templo em si, mas ao seu próprio corpo. O que ele estava a dizer,eram 2
coisas importantissimas:
Esta noção nao é inovadora nem foi inventada por Jesus. Na verdade, aquilo que Jesus
afirma ao dizer que dentro do seu corpo habita o espirito de um Deus, ou
seja, que o seu corpo é uma casa onde reside o Deus Javé, era exactamente o
mesmo que afirmavam os Faraós Egipcios.
Tanto no caso de Jesus que afirmou que o seu corpo era a casa de um espirito,(
neste caso um espirito divino, o espirito de javé), e que comunicou com mortos,
( com Moises e Elias), assim como no caso dos Faraós, torna-se evidente que
nalguns casos e para certas pessoas, o corpo é uma habitação onde entram e
residem entidades espirituais. A possessao de corpos por parte de espiritos,
bem como a comunicação com os mortos, e mesmo o contacto com entidades
espirituais, sao por isso fenomenos comprovadamente ancestrais e sao, tanto
quanto se sabe, a forma por via da qual os espiritos falam com os vivos e os
vivos se relacionam com o mundo dos espiritos.
Pois todo este universo de comunicação com o Alem ou com a esfera celeste, seja
por comunicação com mortos, seja por comunicaçao com espiritos divinos, é a
propria esfera da actividade da necromancia. Quer certas religioes queiram ou
nao, é isso que esta escrito nas sagradas escrituras.
Mediunidade e Possessão
A mediunidade é a capacidade de comunicaçao com entidades «nao-fisicas»
ou espirituais.
Os chamados «mediuns» sao pessoas que tem a capacidade de mediunidade,
ou seja, a capacidade de ser uma «ponte» entre este mundo, ( o
mundo dos vivos, o mundo fisico), e o mundo do Alem, ( o mundo dos
mortos, o mundo dos espiritos). Hoje em dia chamados «mediuns» pelas
doutrinas espiritas, foram noutros chamados videntes, Xaman, ou
serviram de sacerdotes em templos dedicados a Deuses, etc.
Existem 3 tipos de mediunidade ou de mediuns:
O medium fisico, tem a capacidade de deixar uma entidade espiritual
entrar dentro do seu corpo, sendo que essa entidade ocupa e toma conta do mesmo
corpo. A esse fenomeno alguns chamam«encorporaçao», mas na verdade trata-se de
uma forma de possessão. O fenomeno por vezes pode ser acompanhado pela perda de
consciencia do medium, que perde o auto-controlo, ou seja, deixa de conseguir
ter dominio sobre o seu proprio corpo e a sua propria mente, que ficam dessa
forma sob o poder da entidade espiritual que possuiu. Assim, depois de terminar
a possessao, esse tipo de medium raramente se lembra do que se passou enquanto
esteve possuido pelo espirito. A todo este estado chama-se «transe», ou seja, é
dito que o medium ao ser possuido por um espirito que toma conta do seu corpo,
entra em «transe».
O medium mental, tem a capacidade de comunicar com os espiritos, contudo
sem entrar em transe. Nestes casos a possessao do medium pelo espirito é menos
intensa. O espirito fala igualmente atraves do corpo do medium, contudo o
medium mantem perfeita lucidez e consciencia durante todo o processo. Nesta
forma de comunicação com os espiritos, o medium acaba fazendo uso de certos
recursos materiais que permitem a transmissao das mensagens que o espirito
deseja transmitir: desde pedulos, a varas, a tabuas de Ouijá, á psicogragia,
etc.
Há por ultimo o medium onirico, pois tambem a mediunidade pode ser
exercida atraves de mensagens facultadas atraves de sonhos ou visoes nocturnas.
A todo este tipo de praticas mediunicas, denomina-se mediunidade onirica. Neste
tipo de mediunidade, a pessoa recebe as mensagens de forma mental, contudo nao
se encontra em total controlo de si mesmo porquanto se encontra dormindo ou num
estado alterado de consciencia. Por assim ser, este tipo de mediunidade é em
parte fisica e em parte mental, pelo que merece uma referencia distinta .
No entanto, seja qual for o tipo de mediunidade que se analise, toda esta
pratica espiritual assenta no pressuposto do fenomeno de «possessao»,
pois de forma consciente ou insconsciente, de forma mais forte ou mais ligeira,
a pessoa detentora desta capacidade é sempre possuida momentaneamente pelo
espirito que fala atraves dela.
Os medius e os Videntes
quando falamos de videncia, há quem afirme que se trata de um falso
titulo. Há quem afirme que na verdade nao exitem «videntes» com a
capacidade própria de ver coisas no passado, no presente ou no futuro, mas
antes há pessoas com a capacidade de comunicar com o mundo espiritual e dele
receber mensagens.
A diferença é enorme, pois assim se considera que ninguem tem «por si» e
«em si» uma capacidade de «ver», mas antes que as pessoas podem
ter na verdade a capacidade de serem , de uma forma ou de outra, «possuidos»
por espiritos que transmitem mensagens aos vivos.
E quem o afirma, defende que na verdade, essas pessoas a quem se chamam «videntes»,
na realidades elas sao pessoas que tem a capacidade de receber, (consciente ou
inconscientemente), comunicações vindas do mundo espirtual, mensagens de
espiritos, que avisam sobre eventos passados , presentes ou futuros.
Se essa tese é verdadeira, entao verdadeiro fundamento daquilo a que chamamos
de videncia é na verdade uma capacidade necromantica, ou seja, a capacidade de
comunicar com os mortos e com o mundo dos espiritos.
Mais uma vez, encontramos na Biblia provas deste facto.
Nos textos biblicos podemos entender que na verdade quando falamos de Videntes
e Profetas, estamos falando no mesmo.
E tambem nos textos biblicos do Antigo Testamento, sao inumeras as
referencias a pessoas que, havendo nelas sido derramado o espirito de Deus, ou
seja, sendo elas possuindas por um espirito de Deus, começaram a profetizar.
Assim sucedeu nos tempos de Elias e Moises.
Tambem no Novo Testamento se lêem mais referencias a esta fenomeno,
quando se observa que apos a morte e ressureição de Jesus, os apostolos
foram possuidos pelo Espirito Santo e começam assim a falar
linguas e a transmitir grandes mensagens de sabedoria. Segundo os textos
sagrados, nao eram os profetas que falavam por si, mas sim o espirito que os
possuiu que falava pela boca deles.
Ora, torna-se claro que vidente, (ou profeta), é aquele é possuido por
um espirito, sendo que esse espirito passa a actuar neste mundo através
daquela pessoa. Torna-se assim evidente que os textos biblicos nos referem
claramente que as mensagens da videncia advem dos espiritos que possuem uma
pessoa, ( o vidente, ou o profeta), e começam a falar pela sua boca.
A mediunidade, a possessao voluntaria e necromancia, (
enquanto processo de contacto com os mortos ou com o mundo dos espiritos), sao
fenomenos que se encontram detalhadamente descritos nos Textos Biblicos.
Houve ao longo dos tempos, um grande esforço que as autoridades eclesiasticas
desenvolveram para manter o maximo silencio sobre tais praticas, e mesmo para
impedir, ( pelo medo), que a espiritualidade fosse livremente exercida. E todo
esse esforço resultou num infeliz filão de contradições incoerentes. Senao
vejamos os seguintes exemplos dessas contradições:
Por exemplo:
As contradições entre as verdades espirituais descritas na biblia, e os
discursos dos teologos, sao abismais, mas facilmente entendíveis.
Tais conotaçoes negativas entre as praticas espirituais de contacto com os
espiritos e assuntos demoniacos, foram lançadas especialmente impedir que as
pessoas exercessem as artes misticas e praticassem livremente, fora do controlo
da eclesiástico, as vias da espiritualidade. A dado momento, a instituição
religiosa quis deter o monopolio sobre toda a actividade espiritual, alegando
que apenas nela residia a capacidade de comungar e comunicar com a realidade
espiritual.Segundo a instituição, o exclusivo do mundo espiritual parecia ser
sua exclusiva propriedade, e tudo mais fora desse feudo teologico era
pecaminoso e levava á condenação eterna.Estes foram os argumentos, e esta foi a
inutil tentativa de tentar apoderar-se de algo que é tao eterno com a criação
do universo, e que é a realidade espiritual.
Há quem seja mais ousado, e afirme que tais confusoes foram lançadas para que
as pessoas nao comunicassem com os espiritos e assim, nunca obtivessem
conhecimento de certas verdades ocultas que as autoridades eclesiasticas
desejam manter em segredo, pois podem tais conhecimentos podem fazer ruir os
pilares das crenças que suportam a sua instituição.
No entanto, apesar dos esforços de certas autoridades religiosas, os espiritos
nao pararam de escolher os seus emissarios neste mundo e a ligação entre o
mundo dos vivos e o mundo dos mortos mantem-se hoje tão firme e poderosa como
sempre foi ao longo de toda a existencia.
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