Bruxa Évora – conheça mais sobre a bruxa Évora

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Bruxa Évora – conheça mais sobre a bruxa Évora

 

Antes demais, devemos aqui esclarecer:

Não existe apenas uma bruxa Évora, querendo isto dizer: existiu uma primeira e original bruxa Évora, que foi aquele que se encontrou com São Cipriano, conforme foi descrito na obra de são Cipriano. Porem: dai em diante os ensinamentos dessa primeira e original bruxa Évora foram – de geração em geração – passados a outras bruxas, sendo que essas também assumiram o titulo de bruxa Évora, pelo que – com o passar dos seculos – o nome de bruxa Évora passou a não ser designação para apenas a primeira e original bruxa Évora, ( aquela que se encontrou com são Cipriano, conforme descrito na obra do santo ), mas sim a expressão «bruxa Évora» passou a designar toda uma escola de ensinamento oculto que foi fundado pela bruxa Évora, e que dai em diante tem passado de bruxa em bruxa, perpetuando-se ao longo dos seculos. Mais se explica: acreditam os crentes e ocultistas que a original bruxa Évora – sendo que ela ainda vive em espirito e como espirito – ela vai-se acostar ou comunicar espiritualmente com as novas bruxas que ela escolhe, e que através desse acostamento espiritual ela não apenas transmite os seus conhecimentos á pessoa escolhida, como através dessa pessoa ela – ainda hoje, e passados seculos – continua a trabalhar neste mundo, e dessa forma neste mundo operando as suas artes místicas.

Vida e origens da bruxa Évora
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Templo de Diana, ruinas do milenar templo Romano de veneração á deusa, em Èvora

Évora, a cidade de Portugal com um imenso passado místico, terra onde foram venerados os Deuses pagãos e onde ainda hoje se encontra o Templo de Diana, terra de lendas de mouras encantadas onde foram vividos os ensinamentos dos místicos árabes e dos magos do oriente, e foi aí nessa terra que a bruxa Évora viveu.

A bruxa Évora foi uma bruxa poderosa, uma bruxa cuja a fama e feitos ecoam pelos seculos da historia ate aos nossos dias, uma bruxa que conquistou fama e temor tanto em Portugal como no Brasil, e que possuía cadernos com escritos ocultos onde se podiam encontrar poções, formulas, bruxedos, encantamentos, rezas, e muito mais. A magia da bruxa Évora gerou lendas e mitos em Portugal, e acabou seculos depois por ser assimilada nas religiões afro-brasileiras e ameríndias.

A bruxa Évora foi por isso uma bruxa centenária e poderosa, guardadora dos segredos dos feitiços do oriente, esse mesmo oriente de onde vieram os 3 magos que Deus convidou para irem abençoar Jesus.

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bruxa de Èvora

A bruxa Évora não era daquelas bruxas jovens e sedutoras, mas sim era uma mulher já idosa, uma mulher já desprendida e desapegada dos interesses carnais, e era por isso uma anciã repleta de sabedoria acumulada ao longo de toda a uma vida. Nas religiões afro-brasileiras, o arquétipo da Bruxa Évora é representado na figura da preta velha, ou seja: senhora matriarcal, mulher mãe e avó, senhora de grandes sabedorias cultivadas ao longo da uma longa vida, e a quem se deve recorrer para abrir caminhos com o uso dessa sua sabedoria.

Nos seus tempos de infância, sabe-se que a bruxa Évora era neta de uma cartomante e sobrinha de uma quiromante. Na verdade, dizem que os seus pais morreram quando ela tinha 7 anos, e que daí em diante foi criada por uma tia que era curandeira, bruxa e cartomante, e que essa tia lhe passou todos os seus ensinamentos mágicos. Quando essa tia faleceu, deixou-lhe por talismãs 7 moedas de ouro de um Califa Mouro, uma pedra de Àgata com inscrições em Àrabe, e uma medalha de prata com o nome do profeta.

Porque recebeu a bruxa Évora esses 3 talismãs?

Muita gente não sabe, mas a bruxa Évora era uma mulher de pele ligeiramente mais escura que a pele branca dos portugueses da Idade Média. Isso sucede, porque dizem que a bruxa Évora tinha origens árabes ou mouras, e que trazia consigo os ensinamentos místicos e ocultos dos árabes, dos mouros e das civilizações da Suméria, do Egipto e da Babilónia.

Por isso mesmo, á bruxa Évora também lhe chamavam de «Moura Torta», e ao ouvir o nome de moura torta, as pessoas arrepiavam-se benziam-se, fazendo o sinal da cruz. Nas conversas murmuradas, dizia-se algo do género:

«O diabo tem muitos nomes, Satã ou Lucifer.

Aqui em Évora o Diabo tem uma amiga, a bruxa,

que para ele, faz tudo o que ele quer »

Sendo de origens mouras, a bruxa Évora falava fluentemente tanto árabe como português, assim como sabia ler, sabia escrever, sabia olhar as estrelas com a ciência da astronomia e astrologia, sabia rudimentos de ervanária e farmacêutica natural, pois que nessa altura os povos Árabes e Mouros estavam culturalmente bem mais avançados que os europeus da Idade Media. A bruxa Évora era por isso uma mulher com conhecimentos, e naqueles tempos era raríssimo uma mulher saber ler e escrever, pois que a maior parte da população europeia da Idade Media era iletrada, e no caso das mulheres, essas estavam praticamente proibidas de ler e escrever.

Episodio lendário da vida da bruxa Évora
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Capela dos Ossos, em Èvora

A bruxa Évora tinha um gato chamado Lusbel, e andava sempre acompanhada de um mocho que ficava sempre pousado no seu ombro. O gato e o mocho acompanhavam sempre a bruxa, que caminhava descalça e de trajes humildes, e muitas das vezes descalça.

Conta-se que indo assim descalça, a bruxa Évora frequentava procissões cristãs, apesar de muitas das vezes não ser bem aceite pelos cristãos, que a temiam. Ela também rezava á porta da igreja, e cuidava de santos e relíquias. Porem, os padres cristãos temiam o poder da bruxa Évora, e muitas vezes incitavam o povo contra ela. Certa vez, a bruxa Évora estava assistindo a uma procissão, e o padre pregador incitou a multidão contra ela. Quando a multidão tentou agarra-la, ela misteriosamente sumiu!, e no lugar onde ela estava, ficaram apenas um monte de ossos. A multidão benzeu-se arrepiada, e não voltou a tentar importunar a bruxa. Curiosamente, seculos mais tarde,  em Évora seria erguida a famosa capela dos ossos. 

Trabalhos ocultos e temidos da bruxa Évora

A bruxa Évora vivia em isolamento como uma ermita, habitando em terra erma nos arredores de Évora, e não se lhe conheceu marido.

Nos cadernos mágicos da bruxa Évora, constavam os vários instrumentos de bruxaria que a bruxa Évora usava:  o altar, os frascos de ervas e pós místicos, o giz consagrado, a faca, o cutelo, a vara de cedro, a lanterna, o fogareiro, o defumador, o braseiro, o bastão, o ídolo de chifres, o cálice, o pentagrama, o crânio, o caldeirão, etc.

Também haviam vários demónios catalogados no seus cadernos, junto com as adequadas e secretas formulas para os invocar, esses demónios eram alguns como: Abalan, príncipe do infernos; Asmodeu; Abigor; Alocer; Amon; Bel; Bune; Caim; Furfur; Hécate, deusa infernal ; Lúcifer, o maioral; Satã, rei dos infernos; assim como vários incubus e sucubus invocados para trabalhos amorosos e de fertilidade.

( Veja também: Dicionário de demónios e Demonologia)

Incubus e Sucubus são demónios que levam a tentação ao homem e á mulher através da sexualidade. Acredita-se que esse tipo de demónio infesta a pessoa durante o sono, materializando-se na forma de um belo homem que traz a tentação da carnalidade á mulher, ( no caso do Incubus), ou que se materializa numa numa bela mulher que aparece ao homem, ( no caso da Subucus), para com ele ter momentos de êxtase erótico. Escusado ser á dizer que a vitima desse tipo de demónios nada se lembra quando acorda, ou então tem apenas a agradável sensação de ter tido um maravilhoso sonho erótico. Porem, cuidado: esse tipo de demónios é «vampírico», querendo isto dizer: esses demônios ao infestarem eroticamente a sua vitima, eles alimentam-se sugando a energia vital do ser humano, motivo pelo qual a pessoa depois poderá sentir que após o sono, anda a acordar com a sensação de uma estranha fraqueza, quando nada o justifica.

Por vezes, os demónios podem mesmo possuir temporariamente – durante a noite – o corpo do marido ou esposa, assim acedendo ao leito conjugal através de uma possessão demoníaca desse conjugue, usando esse corpo para ter sexo com a sua vitima. Depois da copula ter sido consumada, dizia-se que o demónio  feminino , ( Sucubis), recolhia o sémen do homem para com esse ir realizar aparentes milagres de fertilidade, que afinal são operados através da copula com demónios, ou ate mesmo para enfeitiçar o homem num procedimento de amarração amorosa.

Pois a bruxa de Évora tinha a fama de ter domínio sobre essa e outras classes de demónios, motivo pelo qual grandes foram os seus centenários e imemoriais feitos mágicos em assuntos de amarrações amorosas e assuntos de fertilidade.

bruxa-evoraA bruxa Évora fazia os seus trabalhos há hora da meia-noite, e depois pela noite caminhava pelos campos e pelas ruas desertas de Évora, sempre acompanhada do seu gato, e com o mocho pousando no seu ombro. Ninguém se lhe ousava cruzar-se nessas noites, pois que já se sabia que algo ia acontecer em consequência de uma bruxaria da poderosa bruxa.

Tanto de dia como de noite, ela caminhava com roupas simples, um avental, e murmurando rezas estranhas que ninguém compreendia, mas que causavam arrepios a quem com ela se cruzava e logo se afastava com temor, não fosse algo de errado suceder!

Quando os padres a procuravam para a tentar prender ou molestar, ela cobria o corpo com um unguento secreto por si preparado, e dizia:

«O tordo e a garriça são o galo e a galinha de Nosso Senhor»

E a verdade é que esses padres que lhe queriam mal, jamais a conseguiram apanhar nem prende-la enquanto ela usou deste encantamento, e do seu secreto unguento!

A bruxa Évora preparava as suas sopas no seu caldeirão, e sobre elas realizava encantamentos, sendo que depois vertia um pouco de sopa para o chão, oferendando e partilhando esse alimento com deuses e espíritos da antiguidade, e apenas depois consumia as suas refeições.

Diziam que tinha boas relações com espíritos diversos, tais como espíritos da natureza, assim como com os Deuses da antiguidade, (deuses da Babilónia, dos Fenícios, dos Sumérios, dos Egípcios), e ate mesmo com Lucifer.

outra faceta da bruxa Évora: medica dos pobres e bruxa dos ricos 

A bruxa Évora era também a médica dos pobres que não tinham recursos para recorrer dos médicos que apenas serviam os grandes senhores da nobreza, fazendo aos pobres remédios, unguentos, poções, servindo de parteira, e tratando casos de infertilidade.

Porem – hipocritamente e ás escondidas – as senhoras da alta nobreza procuravam-na para tratar de diversos assuntos, depois de muito terem andado na igreja prostradas aos pés dos padres, fazendo orações, e chorando lagrimas amarguradas ajoelhando-se nos adros das igreja, tudo sem qualquer solução. Por isso, essas mesmas senhoras nobres que durante o dia rejeitavam a maldiziam da bruxa Évora, porem na penumbra do por do sol iam ter com a bruxa para lhe pedir ajuda nas suas aflições, tais como auxilio em casos amorosos, ( em amarrações amorosas), ou em assuntos de fertilidade para conseguir engravidar, quando dos médicos das cortes da realeza já não lhes davam nem mais cura, nem mais esperanças.

Já nesses casos, a bruxa de Évora era compensada com boas somas financeiras, que ela fazia questão em gastar naquilo que mais gostava, ou seja: tapetes do oriente, tapetes mouros valiosos e que vinham das terras longínquas que ainda lhe corriam no sangue das suas veias, pois que ela era meia-moura, meia-portuguesa.

Para alem disso, diz-se que a bruxa Évora tinha um rico tinteiro de prata, assim como pena e materiais de escrita valiosos, um autentico tesouro com os quais elaborava os seus escritos ocultos nos seus cadernos místicos. Sendo descendente de mouros, (pois na altura os mouros eram muito mais cultos e avançados que os Europeus da Idade Media), ela sabia ler e escrever, coisa que – na Idade Media – não era normal para uma mulher, nem acessível á maioria da comum população europeia.

Em resumo:

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gravura medieval de uma Bruxa

embora socialmente rejeitada á luz do dia pela nobreza pomposa, porem á noite ela era bem compensada por essa mesma nobreza pomposa que lhe ia pedir os favores dos espíritos, e por isso ela embora vivesse uma vida simples e de ermita, a bruxa Évora tinha uma boa vida, e viajou em peregrinação para Santiago de Compostela, assim como foi á sé de Braga pagar promessas, e não passava necessidades, apenas receava os padres e pregadores itinerantes, que invejando a sua reputação junto do povo e dos nobres, a queriam apanhar num qualquer ardil que lhes desse desculpa para a encarcerar  na prisão, na tortura ou na fogueira. Exemplo disso, é que certa vez lhe enviaram um príncipe que tinha sido gravemente ferido numa batalha contra os Turcos, e a bruxa Évora curou o príncipe com os seus remédios e feitiços, apenas para depois logo ser expulsa por um pregador itinerante que ali estava presente, dizendo que ela praticava artes diabólicas e era uma bruxa comerciante vendedora artes do diabo. Pois na verdade o príncipe sobreviveu á morte que o aguardava, e foi a bruxa Évora que o salvou, e porem: assim se vê a hipocrisia do mundo !! , e a bruxa Évora bem que o sabia !!

Bruxa Évora em Portugal e no Brasil 

Quando se iniciou a época dos descobrimentos de Portugal, que se estendeu a Africa, ( Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, ), á India, ( Goa), á China, ( Macau), então os marinheiros portugueses atravessando o Atlântico, levaram para o Brasil as lendas de bruxa Évora e de são Cipriano, sendo que, ( diz a lenda), o espirito da bruxa Évora, ( pois que a ela já havia falecido seculos antes!), viajou habitando acostada, ( ou incorporada), nalguns desses marinheiros dessas Naus que descobriram o Brasil, e algumas lendas dizem que com ela foi o Diabo na proa de uma Caravela, apesar de na proa dessa mesma Caravela estar hasteada a bandeira com a Cruz de Cristo, pois para onde vai Deus também vai o diabo, e a bruxa Évora era espirito que fazia pacto com todos os espíritos, fossem espíritos de Deus ou do Diabo, fossem espíritos de mortos ou de vivos, fossem espíritos de divindades milenares.

Já no Brasil, a bruxa Évora, ( que já tinha falecido, e por isso era apenas espirito desencarnado), acostou em certos feiticeiros índios – e mais tarde em certos sacerdotes africanos –  e esses, ( quando entravam em transe), começaram a receber ensinamentos da bruxa, pois eles começavam falando de um reino distante com um rei chamado Afonso Henriques, ( coisa que eles desconheciam por completo !!),  onde haviam mouros e lutas contra Árabes, e de uma terra chamada Évora, e eles, ( de inicio), nem compreendiam que mensagens estavam a receber, e que estavam falando, ( sem saber), eram sobre Portugal, e provinham da Bruxa Évora.

Bruxa Évora trabalhando ainda nos dia de hoje

Pois dai em diante ela continuou o seu trabalho neste mundo através desses sacerdotes africanos e feiticeiros Índios, pois que se diz que por ela ser tao magnifica parteira, curandeira, feiticeira e auxiliadora de boas causas, então ela persiste neste mundo trabalhando, só que agora já não em carne e osso, ( pois que ela já é espirito desencarnado), mas sim  trabalhando em espirito, ou seja: indo acostar-se a alguém que ela escolhe para ser seu discípulo ou discípula neste mundo, e através de quem ela decide trabalhar e operar neste mundo. 

Porem, cuidado:

Apesar de bruxa Évora ser magnifica parteira, curandeira, feiticeira e auxiliadora de boas causas, porem ela continua com o seu olhar afiado e sabedoria oculta!, pelo que a bruxa Évora, ( conforme há seculos atras ela fez em Évora enquanto estava viva), ela assombra e faz infestar com possessões demoníacas todo aquele que lhe for contactar para com ela zombar!, para testar a sua sabedoria com ceticismos!, ou que vá com más intenções! Nesse caso, há hora das 3 da madrugada, ( ou um pouco antes ou depois), as aparições e assombrações conjuradas pelo espirito da bruxa Évora passarão a infestar a vida desses incrédulos.

Por isso:

A bruxa Évora pode ajudar com prodígios quem a invoca com reverencia, assim como pode mandar assombrar casas, lares, pessoas e famílias com todo o tipo de assombrações, quando é tratada com desrespeito.

Dizem que no mundo dos espíritos, são Cipriano e bruxa Évora são companheiros eternos!, e que ambos continuam praticando as suas artes neste mundo através daqueles em quem eles decidem ir-se acostar, e comunicar os seus ensinamentos.

Com ela, ( com a bruxa Évora), a seu tempo causas resolvem-se, e elas resolvem-se sempre com aquela sabedoria de uma bisavó carregada de seculos de sabedoria, e por isso – passo e passo e paulatinamente, como quem tem seculos de sabedoria pesando sobre si – então eis que com paciência, sem pressas nem arrufos ou intempestividades, tudo se resolve, nem que seja pelos caminhos mais incompressíveis, inesperados e imprevistos.

Diz uma antiga sabedoria popular:

«Lá vai a bruxa Évora com o seu gato feiticeiro

De dia trabalha no mato, de noite no seu candeeiro»

Reza de rezadeiras populares.

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